Passam de mil os jornalistas mortos por Covid-19 no mundo

Passam de mil os jornalistas mortos por Covid-19 no mundo

O mundo superou a triste marca de mil jornalistas mortos por Covid-19. Mais precisamente, são 1037 segundo a última contagem da Press Emblem Campaign, organização sediada em Genebra. 

O Brasil lidera o trágico ranking, com 170 mortes de jornalistas reportadas à organização. Só dois países são citados com mais de 100 profissionais mortos. O outro é o Peru, segundo colocado, com 138.

Dos 10 países com mais vítimas, cinco são da América Latina, que se destaca como a região que concentra mais da metade das fatalidades. 

Gráfico das mortes
Jornalistas têm prioridade na vacinação em vários países

Segundo Lempen, a demanda para que os jornalistas sejam priorizados é amplamente sustentada. Ele cita como exemplos alguns países da África. Os governos de Uganda, Somália, Zimbábue e Malaui, decidiram incluir jornalistas entre os primeiros grupos de pessoas na fila para a vacinação contra a Covid-19.

Na Europa, jornalistas são considerados profissionais de linha de frente em muitos países na Alemanha, Irlanda, Holanda e Noruega. A Sérvia também decidiu em janeiro vacinar os jornalistas e outros profissionais da mídia com prioridade.

“Na América Latina, a Federação Nacional de Jornalistas do Brasil (FENAJ), a Associação Nacional de Jornalistas do Peru (ANP) e a Diretoria Central da Associação Uruguaia de Imprensa (APU) recentemente instaram seus governos a considerarem os jornalistas como trabalhadores de linha de frente”, disse o Secretário-Geral. 

Blaise Lempen informou que na Índia, a Press Association pressionou em março o governo a incluir jornalistas credenciados como prioridade para a vacinação contra a Covid-19. E que no Camboja, considerando que a mídia desempenhou um papel vital no combate à pandemia, o primeiro-ministro Hun Sen designou os jornalistas como grupo prioritário para a vacinação contra a Covid-19 em fevereiro. Em Bangladesh, os jornalistas também tiveram prioridade no programa de vacinação. 

Nos Estados Unidos, o Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização (ACIP) do Center for Disease Control (CDC) recomendou que a mídia fosse incluída na lista de “trabalhadores essenciais” que deveriam receber a vacina na Fase 1c. O pessoal da produção de jornais foi incluído na Fase 1 b.

Blaise Lempen referiu-se ainda à necessidade do uso de equipamentos de proteção e dos riscos a que os jornalistas estão submetidos: 

“Os jornalistas estão na linha de frente desde o início da pandemia. Muitos, especialmente freelancers, fotógrafos e cinegrafistas, tiveram que trabalhar no campo e não estavam devidamente equipados. As empresas de mídia não devem forçá-los a sair para o trabalho de campo se isso for perigoso.”

Mais de dois jornalistas mortos por dia desde início da pandemia 


A média de fatalidades em todo o mundo desde o início da pandemia é de 2,5 por dia. Segundo a organização, este é o pior registro de perda de profissionais de imprensa desde a Segunda Guerra Mundial.
Considerando a população de cada país, a situação do Peru é ainda mais dramática para a imprensa. Já nos Estados Unidos, apesar de uma população maior do que a do Brasil, foram 46 mortos. 
Total de mortes de jornalistas pode ser ainda maior
Os dados do PEC dizem respeito apenas a jornalistas que morreram com Covid-19 cujos casos foram divulgados na mídia local, referenciados por associações de jornalismo ou registrados por correspondentes regionais da entidade. Há países em que as informações são censuradas e possivelmente não reportam dados confiáveis. 
Desde o início da pandemia, a Press Emblem Campaign passou a acompanhar o drama dos profissionais de imprensa vítimas da Covid-19. A lista da entidade inclui um perfil de um, como forma de humanizar os números da doença.

Total de mortes de jornalistas pode ser ainda maior

Os dados do PEC dizem respeito apenas a jornalistas que morreram com Covid-19 cujos casos foram divulgados na mídia local, referenciados por associações de jornalismo ou registrados por correspondentes regionais da entidade. Há países em que as informações são censuradas e possivelmente não reportam dados confiáveis. 

Desde o início da pandemia, a Press Emblem Campaign passou a acompanhar o drama dos profissionais de imprensa vítimas da Covid-19. A lista da entidade inclui um perfil de um, como forma de humanizar os números da doença.

O exemplo do Zimbábue

O Zimbábue é um exemplo de país que deu prioridade aos jornalistas. Em um artigo no dia 4 de março, a organização informou que mais de 2 mil profissionais de imprensa entraram para a lista dos primeiros a serem vacinados, junto com 60 mil médicos e integranes de equipes de saúde. 

“O importante de os jornalistas fazerem parte da campanha de vacinação é o fato de eles levarem mensagens a muitas pessoas”, disse Edwin Sibanda, médico que coordena o programa de imunização. “Muitas pessoas confiam nas informações dos jornalistas, eles as consideram autênticas”. 

A matéria destacou o caso de Abigail Tembo, editora de saúde da Zimbabwe Broadcasting Corporation, uma das primeiras a serem vacinadas no país (ela própria na foto):

Foto: Abigail Tembo/redes sociais

“Nós, como jornalistas, somos expostos todos os dias. O repórter, o cinegrafista, o editor,o produtor e o apresentador estão na linha de fogo no que diz respeito ao vírus”, disse ela. 

“Interagimos com muitas pessoas diariamente, mas não temos condições de pedir um certificado de Covid-19 ou fazer verificações de temperatura enquanto conduzimos entrevistas e matérias na rua”. 

Evolução da doença entre jornalistas

O acompanhamento da PEC mostra como a doença veio evoluindo entre jornalistas. Em maio de 2020 o registro já era alto: 64 mortes em 24 países. Em novembro subiu para pelo menos 462 jornalistas de 56 países − um aumento de mais de sete vezes. Nesse mesmo período, o número total de mortes por pandemia em todo o mundo aumentou cinco vezes, de acordo com o Johns Hopkins Coronavirus Resource Center.

“O que me surpreende é que, ao contrário da crença comum, muitos jornalistas morreram relativamente jovens”, disse Blaise Lempen em uma entrevista à Global Investigative Journalism Network.

Segundo Lempen, em países desenvolvidos como Itália, Estados Unidos e Grã-Bretanha, a maioria dos jornalistas que morreram de Covid-19 tinha mais de 70 anos, mas em países em desenvolvimento como Brasil, Índia ou África do Sul eles são mais jovens, a maioria deles na casa dos 50 ou 60 anos.

Os mais jovens e os mais velhos

Um dos mais jovens jornalistas a perder a vida para a Covid foi o brasileiro Taylor Abreu, de apenas 26 anos. Ele morreu em março em Campo Bom, no Rio Grande do Sul, depois de longa internação. Sua mãe tinha morrido nove dias antes. 

E entre as mais velhas está uma referência no jornalismo indiano, Fatima Zakaria. Ela morreu aos 85 anos, no dia 6 de abril. Zakaria foi editora do Mumbai Times e do Sunday Times of India, e nos últimos anos dedicou-se a uma organização não-governamental na área de educação. 

Era mãe de Fareed Zakaria, apresentador da CNN e escritor. Por ironia do destino, o último livro escrito por ele foi sobre a pandemia.

Capi
A autora

Capi

A Capi nasceu em 2020 no parque Barigui em uma família de capivaras, mas viu que o seu negócio mesmo não é caçar e nem procriar, é FOFOCAR. Teve sucesso muito cedo e agora, além de com  DJ oficial da RIC FM ela passa está sempre nas nossas redes sociais contando as maiores tretas dos famosos no quadro Capi Indelicada! Vem conhecer a Capi no @radioricfm no Instagram e no Facebook 😉

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